
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Possibly Poetry

sábado, 11 de junho de 2011
Avenida das Américas
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Sobre o sonho
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Deitada no sofá, ela dorme
Dorme no sofá da sala. Minha vontade é de sempre levá-la embora comigo. Nem parece que fala gritando. Que sempre resmunga quando acorda. Tem uma inocência que é mais bela que a das crianças. Explico. Ela mantém uma pureza de olhar que quase cinco décadas não conseguiram tirar. Se ela fala baixo, eu quase choro. Ela não sabe lidar com o dor. Não teve a do parto. Não tolera bem as partidas. Sozinha no sofá da sala e com a televisão ligada. Sempre fico tentando imaginar seus sonhos. Às vezes, ela narra trechos enquanto cochila. Antes das seis vai acordar. O ritual é o mesmo todo dia. Vai se levantar e colocar a água para esquentar no fogão. Começa a se arrumar. A água ferve e ela joga o pó de café. Sempre muito pó. Açúcar nem tanto. O coador tem que ser de pano. Ela vai beber apenas metade do que colocou na xícara. Se tiver pão, vai comer também. Etapa final da arrumação. De frente ao espelho vai pentear os cabelos e prendê-los bem rente a cabeça. Pronta. Segue rumo ao trabalho e só volta no fim da tarde.
Todo vez que eu a racionalizo, seguro as lágrimas. Isso, definitivamente, eu não aprendi com ela.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Postais extraviados
Ele não vai te enviar nenhuma carta. Não entendo por que você espera tanto. E você não será a musa de nenhum poema. Nem mesmo de um bilhete num guardanapo de bar. Disso, ele faz papel para fumar um baseado. Ele não vai dizer que te ama. Mesmo que você insista em forçar uma declaração. Talvez, ele nunca olhe para sua cara. De fato, ele já deletou seu telefone do celular e só não te apagou de todas as redes sociais porque ele não tem perfil em nenhuma delas. É provável que ele já tenha esquecido seu endereço. Ele não vai te enviar nenhum cartão postal. Mas, se eu fosse você, esperaria do mesmo jeito.
quinta-feira, 31 de março de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Estação da Glória
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
-/- (título original: negativo, negativo)
domingo, 19 de dezembro de 2010
De trás para frente
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Buuu!
As madrugadas ficaram pequenas demais para tantos fantasmas. E eles perderam o medo da luz do sol. Foi o tempo que iam embora às 6 horas e me deixavam dormir. Hoje usam óculos escuros baratos comprados de algum ladrão. Ainda usam lençóis com furo nos olhos e se movimentam pelo quarto sem nenhuma forma. Há os mais depravados que usam pano transparente e exibem suas partes mais íntimas. Gostam de tirar meu sono com violência. Deixam meus olhos ficarem pesados, meu corpo quente e minha boca seca. Me deito, me cubro e me ajeito nos travesseiros. E eles chegam.
Acendo a luz e eles se escondem dos meus olhos. Ficam cochichando entre si. Dão risadinhas e se calam com respiração bem forte. Sim, eles ainda respiram. Tossem, espirram, espirram... Disfarçam. Fingem que vão embora. Dão tchau e um beijo de cada lado do rosto. Não do meu. Colocam o chapéu e dão meia-volta. Pulam em cima da minha cama, dançam tango na minha mesa jogando livros e papéis pelo quarto e usam minhas roupas como se fossem deles. Apenas uma poderia ser.
Quando se cansam, abrem a janela e somem. Eu fico com o sol forte da manhã, com o barulho dos carros na rua e com o cheiro do almoço sendo feito no apartamento de baixo. Olho no espelho e vejo, agora, um zumbi.
domingo, 31 de outubro de 2010
Ainda sobre coisas inacabadas
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Sobre coisas inacabadas
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Talvez fosse agosto
Num canto da casa tudo seria amontoado. Aos poucos, minha mãe ia comprando todos os objetos da decoração. Varias cores de papel crepom, cartolina, bolas de isopor, purpurina, cola, pincel, tinta e canetas hidrocor. Ela também comprava os pequenos brinquedos das lembrancinhas que eram dados em sacos de papel colorido junto com doces. Eu e meu irmão não ganhávamos nenhum deles. Por fim, na estante eram guardadas as muitas latas de leite condensado, os pacotes de trigo, açúcar e chocolate. Muitas latas mesmo. Não, não acabava. Na geladeira ainda tinha banha de porco, camarão, ovos, carne moída e uma pena de galinha.
As cartolinas eram cortadas e viravam convites. O papel crepom frisado era colado a uma bola de isopor com um rosto desenhado. Tudo trabalho de muitas madrugadas. As manhas eram reservadas para o trigo se transformasse em um bolo de vários recheios, ou em pasteis, ou em empadas que também levavam banha, sal, eram preenchidas com camarão, tampadas com massa e besuntadas com gema por uma pena.
Não havia uma só garrafa pet. Era tudo de vidro, no máximo de um litro. Muito barulho de vozes. Um entra e sai de pessoas diferentes que sempre tinha alguma tarefa para executar na cozinha. Quem não tinha nada para fazer, era obrigado a soprar bolas até ficar com a boca branca e os ouvidos zumbidos dos eventuais estouros. Logo a sala virava uma piscina de bexigas azuis e brancas que eram amontoadas em cachos e penduradas na sala.
Já era de noite, mas ainda não havia ninguém arrumado. Era hora dos banhos. Os aniversariantes, os primeiros. Apesar dos três anos de idade, as roupas eram iguais. Só as roupas. E mesmo assim teria um que perguntaria “são gêmeos”. Aos poucos conhecidos e desconhecidos se misturariam aquela decoração de palhaços. Ficariam surpresos que na hora do parabéns ninguém ali estivesse de fato fazendo aniversário.
sábado, 24 de julho de 2010
Vidinha facebook
Nas fotos ninguém tem um sorriso maior que o seu. É daqueles de orelha a orelha. Ninguém é mais feliz no Facebook que você. Suas fotos tem ângulos ousados, enquadramentos instigantes e uma iluminação perfeita. Seus amigos são bonitos, suas roupas são as melhores e suas legendas inteligentes. São viagens fantásticas, trivialidades bem retratadas, intimidades leves. Está tudo lá, separadinho por álbum, data e evento. Nas fotos sua vida é harmônica. Sua casa sempre arrumada. Seu marido não reclama, seu filho não chora e seus pais não incomodam. As contas não vencem e nem atrasam. O dinheiro sempre sobra e é dispensável quando falta. Faz a falência ser charmosa. Nas suas fotos, o Brasil tem sol 370 dias ao ano em um longo verão de dias de 24 horas de luz. A Europa é na esquina e a Argentina no meio do quarteirão – duas casas depois está o Chile. O mar está sempre calmo, a praia vazia e os bares badalados lotados com sua mesa cativa garantida. Mas, na hora que você faz logout... Tudo fica escuro assim como a tela do seu computador.
