terça-feira, 11 de novembro de 2025

Pequenina xícara de café espresso adoçado com adderal (in progress)

Eu não tomo nem café, nem preciso de anfetamina para acordar… Tomei os dois nesta tarde. Primeiro, um comprimido de adderal depois do almoço. Roubei alguns da minha prima Simone. Ela virava um foguete de fordista quando tomava, mas ser produtiva para ela era um problema. Simone perdia a justificativa para sempre arrastar pesadas correntes e lamentar sobre a vida que não acontecia. As muletas perdiam função e ela teria que carrega-las sem precisar - um transtorno, sabemos. Acho que deveria ter roubado mais comprimidos. Acredito que peguei uns quarenta. Já tomei quinze desses. O primeiro fez bastante efeito. Entrei na sessão com a minha terapeuta e minha mente trabalhou de maneira ketaminosa, mas sem a lentidão da fala e os movimentos. Precisei explicar para a psicóloga o que estava sem passando. Ela desconhecia o medicamento e foi pesquisar. “Cuidado com essa automedicação freestyle, Murilo”. A terapeuta sabe que vou fundo nas minhas viagens químicas. Embarco sem medo e sem bilhete de volta reservado. Sempre voltei intacto - apesar de numa dessas ter dado um show pelos corredores de um prédio no Leme, onde morava um boy com quem tinha transado duas vezes e onde vivia a mãe de uma amiga que também era amiga mas por sorte estava viajando pela Ásia. Digo sorte porque no meio da minha performance, eu perguntei para o porteiro sobre ela e seria um vexame se ela tivesse aparecido. “Murilo virou um drogado que corre riscos e perde a noção. Ele tinha uma jornada tão linda, mas largou tudo para ficar viajando, correndo atrás de homem e virando madrugadas em inferninhos do Rio de Janeiro”. Eu não fazia nada disso. Também, não frequentava Leme. Sempre tive um pouco, muita, implicância com o bairro - a ponto de um amigo cria do bairro falar que ainda vou terminar morando por lá (pior que quase fui mesmo por duas vezes). O amor pelo Flamengo não permitiu. Não tenho muito o explicar sobre essa relação amorosa. Eu não nasci no Flamengo, não passei a infância por lá e achava que a ausência de vida noturna era responsável por eu não ter nenhum dos supostos boys que as pessoas insistem em dizer que corro atrás… Eu gostava da arquitetura dos prédios, das ruas curtas arborizadas, das duas estações de metrô e porque o aluguel era barato (de acordo com o amigo que pagava o apartamento em que eu vivia de graça, Quin). O Quin tinha um apê lindo na Senador Vergueiro todo decorado pelo ex-namorado designer-autodidata-goiano, Nico. Quin terminou o relacionamento com o Nico logo que a reforma acabou. Ou Nico que acabou com tudo. Eu não lembro. O importante foi que Quin ficou com a casa totalmente repaginada, logo conheceu outro namorado e “se mudou” para a casa desse - que eu nem vou citar o nome por motivos desimportância. Quin era assim: dois beijos, uma metida bem dada e casava. Passava semanas inteiras na casa dos namorados, passava em casa só para deixar a roupa suja para a faxineira lavar/passar e pegar as limpas/passadas. Eu sempre achei que a questão era o fato de ele não conseguir viver sozinho, mas nunca reclamei. O apartamento ficava todo para mim, com as contas pagas e limpo semanalmente pela faxineira, Jarla."E quando Quin termina com os namorados, como você faz?”. Sempre me perguntam… Quando isso acontece, ele precisa de companhia para desabafar, concordar com tudo o que diz, sair com ele para as baladas mais cafonas da cidade. De certa forma, acredite, eu contribuo para a manutenção do nosso lar. Além disso, eu também sou o responsável por cuidar da lista de compras que a Jarla semanalmente manda e também, sou quem leva a culpa pelas vodka, gin, tequila que evaporavam do barzinho misteriosamente a cada semana. A cerveja seca com parcimônia na cerveja, pois Jarla sabe que é a única bebida que eu tomo - ela não toca no vinho porque sabe que eu detesto. Acordos tácitos cotidianos. Assim, como ela lava/passa a minha roupa suja que misturo com a do Quin - e ela sempre deixa separadas depois de limpas. Nunca errou nem um par de meias. Somos amigos, eu e Jarla. 


Eu cheguei nesse Café depois de ir até ao posto médico fazer um exame de HIV e outros BOs. Há dias, não me sentia bem. Ontem, eu tinha ido a emergência e o medico à distância disse que eu estava com alguma crise respiratória. Nunca tive nada disso. Ele me passou alguns medicamentos e nebulização. Os enfermeiros era gostosos, mas estava com o tesão zerado desde a ultima noite de sexo sem camisinha e com leite dentro que eu tinha tido. Os exames deram negativos. Surpresa? Zero. Eu tinha feito os mesmos uma semana antes, tomo prep, doxypep, vacinas, lavo tudo-bem-lavado e sobretudo, seleciono as pirocas e rabetas que entram na minha casa. Na casa do Quin - que me proibia de receber visitas furtivas. Há um pequeno e teimoso hipocondríaco preso dentro de mim. Bronquite? Muito pouco para tudo que estou sofrendo e fico pesquisando um diagnóstico mais catastrófico. Tudo para justificar a minha suposta vidaloka. No fim, sempre é virose, dengue ou amidalite. Sempre. O Café Verso fica dentro da Livraria da Travessa de Botafogo. Na época da pandemia, eu era habitué. Eu estava ganhando muito dinheiro com dois empregos mais vários auxílios que descolei - nenhum governamental e nem de amigos! Pedia quase tudo do cardápio e produzia o suficiente. Transei com dois atendentes do estabelecimento. O primeiro, não lembro o nome e foi durante o expediente, no banheiro do Cine Estação Botafogo, que fica na frente. Comi ele numa das cabines. O cinema estava fechado por conta das restrições sanitárias e a livraria usava parte do espaço para distribuir os livros vendidos online. Quase gozei em cima de uma pilha de Torto Arado.  Foi uma foda mediana. Era um bom cu, chupada mediana e beijo sem grande empolgação. Já o segundo, Tom… Esse foi um esculacho de bom. Marcamos depois do expediente. Tom tinha 26 anos. Morador do Vidigal. Perfil de comedor marrento no Scruff (eu puxei papo com ele antes de ler a descrição do aplicativo). Gostoso. Cara de safado. Corpo delícia. Pau grande malhado por vitiligo. Bunda boa e durinha. Me mandou um vídeo exibindo o pau duro na rua enquanto caminhava para minha casa. A ideia era F1 e ficar na broderagem mas assim que ele entrou pela porta já começamos a nos pegar. Beijo forte. Tomamos banhos juntos e quase transamos ali no box do chuveiro. Chupa bem (frente e verso). Sabe comer. Meteu o pau gigante todo dentro de mim e sem se fazer doer. Sabe dar. Ficou de quatro e arrebitou gostoso abrindo as bandas com as duas mãos para entrar tudo gostoso. Pediu para gozar bem dentro dele. Depois do gozo, tomamos outro banho e ele me arregaçou no box. Foi se vestir na sala e eu acabei comendo ele no sofá chique da sala do Quin. Fechou o zíper mas voltamos a nos beijar e acabei voltando a comer ele em pé. Só não foi melhor porque os dois estavam sem tempo e ele não gozou - mas voltou para casa com a minha porra dentro do cu. Promessa de voltar sempre. Queria me dar na varanda. Nunca voltou. Tentei muito. De consolação, me mandou vídeos batendo uma dentro da van que pegava para voltar para casa. Apelidei-o de "boy crack" - bastou uma vez para me viciar (além de também ser um “craque" na arte da foda). Saudades, Tom! Atualmente, não tem ninguém interessante trabalhando aqui. Eu também tenho menos dinheiro, quase não apareço e sempre peço uma água com gás para justificar minha ocupação. Hoje, foi a primeira vez que pedi um espresso. O efeito com o adderal está sendo essas linhas aqui, mas a intenção era trabalhar um pouco no único freela que me mantem. Paga menos que um terço dos áureos tempos. Paga as contas (eu tenho muitas), mas limita os meus luxos. Não exige muito de mim. Não posso dizer o mesmo (para mim mesmo). Auto-exigência altíssima. Neste caso, tanto para o trabalho ainda não realizado, tanto para essa carta que comecei a escrever. Era para ser só um aquecimento. Minha cabeça funciona a base do acúmulo e do deadline. Se tiver pouca coisa para fazer, não faço. Fico taxiando na pista igual a um avião em Congonhas indo para a longa fila de espera que demora mais que a decolagem em si. É uma forma de colocar o sangue dos dedos para circular, ligar a conexão dos neurônios por completo e criar uma demanda inexistente que provavelmente será trocada por uma demanda urgente. Sim, estou dando o spoiler de que não terminarei esse texto aqui… O efeito da mistura está começando a me incomodar (pode ser psicológico), ainda estou me acostumando com esse laptop novo e preciso de fato trabalhar. Também estou me distraindo conversando com um médico mineiro que conheci no app amarelo (eu uso vários) e está cheio-de-assunto no WhatsApp, o Higor. E assim, vou criando muitas expectativas para os próximos dias.


No Verso Café, se você vem trabalhar, precisa escolher bem a mesa. Barulho e conexão da internet estão juntos. As mesas mais silenciosas e distantes da cozinha tem sinal de wifi fraco. O sinal como um todo é bem ruim. Tento sempre pegar a mesa que fica próxima ao parapeito. Vista para o movimento da livraria, sinal forte e perto da escada para o banheiro. É a parte mais movimentada e por isso, sempre tem garçons por perto para te atender. Não estou sentado nessa mesa. A fama dela já deve ter se espalhado e tinha um rapaz bonitinho trabalhando nela. Macbook aberto, sorriso no rosto e um capacete no banco do lado. Deve ter uma dessas motinhas-da-moda. Sentei entre uma menina sozinha e um casal de turistas lésbicas que decidiam algum roteiro de passeio. Todos saíram, mas eu fiquei com muita preguiça de mudar de lugar. Agora, à esquerda, uma casal hétero que conversam demais (coloquei meus AirPods com cancelamento de ruído e um funk-aquecimento), à direita, uma casal gay levemente padrão, que numa virada de pescoço pode ler isso aqui, mas estão em clima de romance e duvido que minha tela seja atraente a eles. Eu preferia estar tendo esse encontrinho de fim de tarde que nem eles, mas estou aqui tendo que trabalhar. A conversa com médico renderia mais que no zap. Talvez até demais e meu corpo não está dos melhores. Sinto uma leve dor no estômago. Deve ser por conta dos remédios, café e pouco de comida que ingeri hoje. Um copo de coca-cola, uma pacote de Lays-cream cheese, cinco unidades de Bis, uma torrada coberta com abacate e um copo de água gasosa com limão espremido. A ideia era almoçar no Joia Comida, o meu restaurante chinês de um prato só preferido. O chinês de vários pratos favorito fica na Tijuca e se chama Xian Xiao, para quem quiser saber. Vou pedir a conta e terminar o trabalho de casa. Aqueci tanto que já estou incomodado em estar sentando aqui há tantas horas escrevendo como se eu tivesse tomado um comprido de adderal e uma xícara de café espresso. Apesar de eu ter tomado tudo isso!   


Hoje, é sexta-feira. A última de setembro. Penso em usar esse fato para me drogar mais um fim de semana. Seja com álcool, seja com sexo casual, seja com algum comprimido para dormir. Sou bom em arranjar desculpas. Todas elas se resumem em: "porque eu quero". As justificativas são apenas argumentos. Eu quero. E se posso, por que não fazer? Eu poderia ir dormir cedo, mas eu quero avançar nesse texto aqui. Mesmo que eu não tenha a menor noção do que estou tentando contar e fugindo de criar um diário vazio. Eu pediria um pouco de paciência para quem lê, mas nem mesmo sei se alguém vai cair aqui além de mim e se, sobretudo, eu também aguentaria esperar uma história surgir. É uma desafio mútuo. Estamos juntos nessa busca e espera. Eu e você, leitor querido. Por hora, estou sem nenhuma substância no corpo. Nem mesmo a minha skincare foi feita. Limpo. 

    


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Há semanas, sou um barco a deriva. Alguns dias, me sinto bem com essa sensação. O balanço do mar me nina e sair da cama cedo não é uma opção. Outros, sou revirado pelas ondas e jogado contra as rochas. Por vezes, estou encalhado na areia da praia. Há semanas, estou inavegável. Sem rumo. Sem porto. 


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(in progress)


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