sábado, 22 de maio de 2010
Escada abaixo
terça-feira, 18 de maio de 2010
O tango do Manco
As luzes foram apagadas. E a música começou. O primeiro som foi o do bandoleon. Uno, dos, tres. Violão. Violão. Violão. Uno, dos, tres. Piano. Siete, ocho. Todos juntos. Não! Gritou algum numa quina da pista de dança. As luzes foram se acendendo gradualmente. Era ele, o Manco, dizendo que não podia dançar. Ele estava sentado no alto de um banco muito alto. Sim, no alto do alto. De lá, não havia nenhuma possibilidade de saberem que ele era manco – e muito menos O Manco. Não teve nenhum protesto das outras pessoas. Nem dos músicos. O Manco deu um sorriso. Era estranho. Parecia que ele também não ria direito, como se só uma parte da boca se abrisse. Era sinistro. O Manco tinha um nariz lindo. Era reto. Sem que ninguém pudesse evitar a música começou a tocar. Uno, dos... E surgiu o bandoleon. Os violões vieram na seqüência com uma rapidez ventânica. O piano ficou mudo. Todos começaram a dançar. A iluminação era bem fraca e azul. Num movimento ríspido, puxaram o Manco do banco. Ele caiu, mas logo o levantaram. Um homem sem cabelos. Ele deu as mãos ao Manco e o convidou para um dança. O Manco nem pensou em recusar. Seu primeiro passo foi um pulo. O segundo passo foi um pulo. E o terceiro passo também foi um pulo. O Manco pulava muito e assim ninguém percebia que ele mancava. Nem ele próprio. Tinha um passo mais elaborado. Ele parava no solo e levantava uma perna. Ele pulava e dava gargalhadas. Seus dentes refletiam a luz azul. Ele sorria para o teto com olhos fechados. E pulava. A pista era dele. Não havia dúvidas. Só dele!
domingo, 9 de maio de 2010
Rua Princesa Isabel
Um entrocamento da minha janela. Todas as grandes árvores foram cortadas. Pique-esconde nunca mais. Nem amigos antigos mais para isso há. É uma rua em que só conheço o começo e sempre estranho quando vou ao fim. Tão pequena e tal longa. Dizer que os melhores momentos da minha vida foram aqui é exagero. Palco dos primeiros melhores é mais realista. Muitas pequenas histórias e grandes narrativas pulverizadas em 23 anos de memórias. Mesmo assim, não quero mais voltar.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Meu eterno quarto
