o barulho dos pneus na pista molhada de chuva. você me esperando do outro lado da grade. já fui pedindo para entrar. quatro lances de escadas. você parado no meio da sala. o beijo. a sua barba arranhando meu rosto. sua língua jogando com a minha. o sotaque pernambucano fazendo cócegas no meu corpo. beck enrolado com maestria. a pedra do grajaú assistindo tudo. a ventania encurvando os galhos e espalhando nosso segredo. o toque da sua mão. a minha na sua. o meu no seu. éramos faísca. fogo viramos. nos engolimos em fagocitose mutua. cotovelos e joelhos na largura de um colchão de solteiro. a luz acesa para ver tudo. o cheiro do poppers abrindo passagem. eu deitado em cima de você. o peso do meu corpo era metade do prazer. suas palavras sujas em baixa compreensão. foi uma. foram duas. a seco. dentro. ficou tudo. dentro da caixa de vidro do box. por que deixei você ali dentro sozinho?
sábado, 12 de setembro de 2026
Avenida Júlio Furtado
o barulho dos pneus na pista molhada de chuva. você me esperando do outro lado da grade. já fui pedindo para entrar. quatro lances de escadas. você parado no meio da sala. o beijo. a sua barba arranhando meu rosto. sua língua jogando com a minha. o sotaque pernambucano fazendo cócegas no meu corpo. beck enrolado com maestria. a pedra do grajaú assistindo tudo. a ventania encurvando os galhos e espalhando nosso segredo. o toque da sua mão. a minha na sua. o meu no seu. éramos faísca. fogo viramos. nos engolimos em fagocitose mutua. cotovelos e joelhos na largura de um colchão de solteiro. a luz acesa para ver tudo. o cheiro do poppers abrindo passagem. eu deitado em cima de você. o peso do meu corpo era metade do prazer. suas palavras sujas em baixa compreensão. foi uma. foram duas. a seco. dentro. ficou tudo. dentro da caixa de vidro do box. por que deixei você ali dentro sozinho?
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Ventilador na mesa
Eu senti uma vibração na mesa. Era o ventilador. Girando de um lado para outro. Tremendo tudo. Desliguei. Estava me desconcentrando demais. A luminária também treme. A culpa é dos meus dedos batendo no teclado. Poderia ser da minha mente reverberando cada uma das inquietações que mais uma vez vão me impedir de dormir antes do sol nascer. Verão no Rio. Antes das 5 é já começa a ficar tudo clareado. Meus pensamentos, não. Eu estipulei que escreveria um texto essa semana. E seguiria assim. No final, um livro de contos. Ou de crônicas. Ou ensaios. Eis um post para meu blog que eu não atualizava desde 2024.
Não há um tema claro nesse texto. Talvez, o sono apareça antes de eu sentir que o texto chegou ao final. Vou dormir mais aliviado por ter um risco na minha lista de to do e com o bónus de ter atualizado o blog. Eu fiz isso publicando parte de um livro que eu imaginava estar escrevendo, porém, como foi escrito em 2025, alterei a data de publicação para tal ano - assim, quem vasculhar os arquivos do Esfera dos Intocáveis pode se iludir que eu não abandonei tudo por completo. Eu escavei esse arquivo e, também, dei uma olhada nos blogs do Betão e da Kênia. Eles escrevem melhor do que eu. Reli os comentários que deixaram para mim. A maioria da Raquel. Ninguém (deles) escreve mais (para ninguém) e reler aqueles textos foi como rever fotografias antigas - aliás, faz anos que olho as minhas em papel ou enterradas em backups antigos. Que bom que eles não apagaram nada.
Eu também não apago nada. Isso pode ser um problema. Vou acumulando memórias. É pesado. É sufocante. É agridoce. É um colchão de segurança. É um refúgio no caos. É o que me ajuda a entender porque estou mais uma vez sentado diante de um computador escrevendo de madrugada da mesma maneira que eu fazia no meu quarto em Laranjeiras, Serra, Espírito Santo. É o mesmo silêncio. É a mesma solidão. Mentira. É ainda mais solitário. Eu não tenho o meu irmão fechado no quarto ao lado acordado vivendo o mundo dele. Não tenho a minha mãe dormindo de porta aberta e as vezes falando. A moto do vigilante não passa, mas tenho alguns transeuntes voltando do Treme treme ou algum mendigo causando ou o metrô balançando a minha janela alertando que já já o dia começa de novo. Eu vou tentar dormir, mas tudo que acabei de dizer vai começar brotar como um feijão num pedaço algodão molhado.
terça-feira, 11 de novembro de 2025
Pequenina xícara de café espresso adoçado com adderal (in progress)
Eu não tomo nem café, nem preciso de anfetamina para acordar… Tomei os dois nesta tarde. Primeiro, um comprimido de adderal depois do almoço. Roubei alguns da minha prima Simone. Ela virava um foguete de fordista quando tomava, mas ser produtiva para ela era um problema. Simone perdia a justificativa para sempre arrastar pesadas correntes e lamentar sobre a vida que não acontecia. As muletas perdiam função e ela teria que carrega-las sem precisar - um transtorno, sabemos. Acho que deveria ter roubado mais comprimidos. Acredito que peguei uns quarenta. Já tomei quinze desses. O primeiro fez bastante efeito. Entrei na sessão com a minha terapeuta e minha mente trabalhou de maneira ketaminosa, mas sem a lentidão da fala e os movimentos. Precisei explicar para a psicóloga o que estava sem passando. Ela desconhecia o medicamento e foi pesquisar. “Cuidado com essa automedicação freestyle, Murilo”. A terapeuta sabe que vou fundo nas minhas viagens químicas. Embarco sem medo e sem bilhete de volta reservado. Sempre voltei intacto - apesar de numa dessas ter dado um show pelos corredores de um prédio no Leme, onde morava um boy com quem tinha transado duas vezes e onde vivia a mãe de uma amiga que também era amiga mas por sorte estava viajando pela Ásia. Digo sorte porque no meio da minha performance, eu perguntei para o porteiro sobre ela e seria um vexame se ela tivesse aparecido. “Murilo virou um drogado que corre riscos e perde a noção. Ele tinha uma jornada tão linda, mas largou tudo para ficar viajando, correndo atrás de homem e virando madrugadas em inferninhos do Rio de Janeiro”. Eu não fazia nada disso. Também, não frequentava Leme. Sempre tive um pouco, muita, implicância com o bairro - a ponto de um amigo cria do bairro falar que ainda vou terminar morando por lá (pior que quase fui mesmo por duas vezes). O amor pelo Flamengo não permitiu. Não tenho muito o explicar sobre essa relação amorosa. Eu não nasci no Flamengo, não passei a infância por lá e achava que a ausência de vida noturna era responsável por eu não ter nenhum dos supostos boys que as pessoas insistem em dizer que corro atrás… Eu gostava da arquitetura dos prédios, das ruas curtas arborizadas, das duas estações de metrô e porque o aluguel era barato (de acordo com o amigo que pagava o apartamento em que eu vivia de graça, Quin). O Quin tinha um apê lindo na Senador Vergueiro todo decorado pelo ex-namorado designer-autodidata-goiano, Nico. Quin terminou o relacionamento com o Nico logo que a reforma acabou. Ou Nico que acabou com tudo. Eu não lembro. O importante foi que Quin ficou com a casa totalmente repaginada, logo conheceu outro namorado e “se mudou” para a casa desse - que eu nem vou citar o nome por motivos desimportância. Quin era assim: dois beijos, uma metida bem dada e casava. Passava semanas inteiras na casa dos namorados, passava em casa só para deixar a roupa suja para a faxineira lavar/passar e pegar as limpas/passadas. Eu sempre achei que a questão era o fato de ele não conseguir viver sozinho, mas nunca reclamei. O apartamento ficava todo para mim, com as contas pagas e limpo semanalmente pela faxineira, Jarla."E quando Quin termina com os namorados, como você faz?”. Sempre me perguntam… Quando isso acontece, ele precisa de companhia para desabafar, concordar com tudo o que diz, sair com ele para as baladas mais cafonas da cidade. De certa forma, acredite, eu contribuo para a manutenção do nosso lar. Além disso, eu também sou o responsável por cuidar da lista de compras que a Jarla semanalmente manda e também, sou quem leva a culpa pelas vodka, gin, tequila que evaporavam do barzinho misteriosamente a cada semana. A cerveja seca com parcimônia na cerveja, pois Jarla sabe que é a única bebida que eu tomo - ela não toca no vinho porque sabe que eu detesto. Acordos tácitos cotidianos. Assim, como ela lava/passa a minha roupa suja que misturo com a do Quin - e ela sempre deixa separadas depois de limpas. Nunca errou nem um par de meias. Somos amigos, eu e Jarla.
Eu cheguei nesse Café depois de ir até ao posto médico fazer um exame de HIV e outros BOs. Há dias, não me sentia bem. Ontem, eu tinha ido a emergência e o medico à distância disse que eu estava com alguma crise respiratória. Nunca tive nada disso. Ele me passou alguns medicamentos e nebulização. Os enfermeiros era gostosos, mas estava com o tesão zerado desde a ultima noite de sexo sem camisinha e com leite dentro que eu tinha tido. Os exames deram negativos. Surpresa? Zero. Eu tinha feito os mesmos uma semana antes, tomo prep, doxypep, vacinas, lavo tudo-bem-lavado e sobretudo, seleciono as pirocas e rabetas que entram na minha casa. Na casa do Quin - que me proibia de receber visitas furtivas. Há um pequeno e teimoso hipocondríaco preso dentro de mim. Bronquite? Muito pouco para tudo que estou sofrendo e fico pesquisando um diagnóstico mais catastrófico. Tudo para justificar a minha suposta vidaloka. No fim, sempre é virose, dengue ou amidalite. Sempre. O Café Verso fica dentro da Livraria da Travessa de Botafogo. Na época da pandemia, eu era habitué. Eu estava ganhando muito dinheiro com dois empregos mais vários auxílios que descolei - nenhum governamental e nem de amigos! Pedia quase tudo do cardápio e produzia o suficiente. Transei com dois atendentes do estabelecimento. O primeiro, não lembro o nome e foi durante o expediente, no banheiro do Cine Estação Botafogo, que fica na frente. Comi ele numa das cabines. O cinema estava fechado por conta das restrições sanitárias e a livraria usava parte do espaço para distribuir os livros vendidos online. Quase gozei em cima de uma pilha de Torto Arado. Foi uma foda mediana. Era um bom cu, chupada mediana e beijo sem grande empolgação. Já o segundo, Tom… Esse foi um esculacho de bom. Marcamos depois do expediente. Tom tinha 26 anos. Morador do Vidigal. Perfil de comedor marrento no Scruff (eu puxei papo com ele antes de ler a descrição do aplicativo). Gostoso. Cara de safado. Corpo delícia. Pau grande malhado por vitiligo. Bunda boa e durinha. Me mandou um vídeo exibindo o pau duro na rua enquanto caminhava para minha casa. A ideia era F1 e ficar na broderagem mas assim que ele entrou pela porta já começamos a nos pegar. Beijo forte. Tomamos banhos juntos e quase transamos ali no box do chuveiro. Chupa bem (frente e verso). Sabe comer. Meteu o pau gigante todo dentro de mim e sem se fazer doer. Sabe dar. Ficou de quatro e arrebitou gostoso abrindo as bandas com as duas mãos para entrar tudo gostoso. Pediu para gozar bem dentro dele. Depois do gozo, tomamos outro banho e ele me arregaçou no box. Foi se vestir na sala e eu acabei comendo ele no sofá chique da sala do Quin. Fechou o zíper mas voltamos a nos beijar e acabei voltando a comer ele em pé. Só não foi melhor porque os dois estavam sem tempo e ele não gozou - mas voltou para casa com a minha porra dentro do cu. Promessa de voltar sempre. Queria me dar na varanda. Nunca voltou. Tentei muito. De consolação, me mandou vídeos batendo uma dentro da van que pegava para voltar para casa. Apelidei-o de "boy crack" - bastou uma vez para me viciar (além de também ser um “craque" na arte da foda). Saudades, Tom! Atualmente, não tem ninguém interessante trabalhando aqui. Eu também tenho menos dinheiro, quase não apareço e sempre peço uma água com gás para justificar minha ocupação. Hoje, foi a primeira vez que pedi um espresso. O efeito com o adderal está sendo essas linhas aqui, mas a intenção era trabalhar um pouco no único freela que me mantem. Paga menos que um terço dos áureos tempos. Paga as contas (eu tenho muitas), mas limita os meus luxos. Não exige muito de mim. Não posso dizer o mesmo (para mim mesmo). Auto-exigência altíssima. Neste caso, tanto para o trabalho ainda não realizado, tanto para essa carta que comecei a escrever. Era para ser só um aquecimento. Minha cabeça funciona a base do acúmulo e do deadline. Se tiver pouca coisa para fazer, não faço. Fico taxiando na pista igual a um avião em Congonhas indo para a longa fila de espera que demora mais que a decolagem em si. É uma forma de colocar o sangue dos dedos para circular, ligar a conexão dos neurônios por completo e criar uma demanda inexistente que provavelmente será trocada por uma demanda urgente. Sim, estou dando o spoiler de que não terminarei esse texto aqui… O efeito da mistura está começando a me incomodar (pode ser psicológico), ainda estou me acostumando com esse laptop novo e preciso de fato trabalhar. Também estou me distraindo conversando com um médico mineiro que conheci no app amarelo (eu uso vários) e está cheio-de-assunto no WhatsApp, o Higor. E assim, vou criando muitas expectativas para os próximos dias.
No Verso Café, se você vem trabalhar, precisa escolher bem a mesa. Barulho e conexão da internet estão juntos. As mesas mais silenciosas e distantes da cozinha tem sinal de wifi fraco. O sinal como um todo é bem ruim. Tento sempre pegar a mesa que fica próxima ao parapeito. Vista para o movimento da livraria, sinal forte e perto da escada para o banheiro. É a parte mais movimentada e por isso, sempre tem garçons por perto para te atender. Não estou sentado nessa mesa. A fama dela já deve ter se espalhado e tinha um rapaz bonitinho trabalhando nela. Macbook aberto, sorriso no rosto e um capacete no banco do lado. Deve ter uma dessas motinhas-da-moda. Sentei entre uma menina sozinha e um casal de turistas lésbicas que decidiam algum roteiro de passeio. Todos saíram, mas eu fiquei com muita preguiça de mudar de lugar. Agora, à esquerda, uma casal hétero que conversam demais (coloquei meus AirPods com cancelamento de ruído e um funk-aquecimento), à direita, uma casal gay levemente padrão, que numa virada de pescoço pode ler isso aqui, mas estão em clima de romance e duvido que minha tela seja atraente a eles. Eu preferia estar tendo esse encontrinho de fim de tarde que nem eles, mas estou aqui tendo que trabalhar. A conversa com médico renderia mais que no zap. Talvez até demais e meu corpo não está dos melhores. Sinto uma leve dor no estômago. Deve ser por conta dos remédios, café e pouco de comida que ingeri hoje. Um copo de coca-cola, uma pacote de Lays-cream cheese, cinco unidades de Bis, uma torrada coberta com abacate e um copo de água gasosa com limão espremido. A ideia era almoçar no Joia Comida, o meu restaurante chinês de um prato só preferido. O chinês de vários pratos favorito fica na Tijuca e se chama Xian Xiao, para quem quiser saber. Vou pedir a conta e terminar o trabalho de casa. Aqueci tanto que já estou incomodado em estar sentando aqui há tantas horas escrevendo como se eu tivesse tomado um comprido de adderal e uma xícara de café espresso. Apesar de eu ter tomado tudo isso!
Hoje, é sexta-feira. A última de setembro. Penso em usar esse fato para me drogar mais um fim de semana. Seja com álcool, seja com sexo casual, seja com algum comprimido para dormir. Sou bom em arranjar desculpas. Todas elas se resumem em: "porque eu quero". As justificativas são apenas argumentos. Eu quero. E se posso, por que não fazer? Eu poderia ir dormir cedo, mas eu quero avançar nesse texto aqui. Mesmo que eu não tenha a menor noção do que estou tentando contar e fugindo de criar um diário vazio. Eu pediria um pouco de paciência para quem lê, mas nem mesmo sei se alguém vai cair aqui além de mim e se, sobretudo, eu também aguentaria esperar uma história surgir. É uma desafio mútuo. Estamos juntos nessa busca e espera. Eu e você, leitor querido. Por hora, estou sem nenhuma substância no corpo. Nem mesmo a minha skincare foi feita. Limpo.
***
Há semanas, sou um barco a deriva. Alguns dias, me sinto bem com essa sensação. O balanço do mar me nina e sair da cama cedo não é uma opção. Outros, sou revirado pelas ondas e jogado contra as rochas. Por vezes, estou encalhado na areia da praia. Há semanas, estou inavegável. Sem rumo. Sem porto.
***
(in progress)
terça-feira, 31 de dezembro de 2024
O primeiro réveillon
2009. A gente estava ali. Cada um na sua ponta e tumulto. Era SMS. Nada era smart. Éramos. Posto 5? Talvez! A gente não esbarrava. A contagem regressiva da contagem regressiva. As mensagens chegam
depois…
A gente não se fala. Posto 5! Copacabana suas duas milhões de expectativas que viriam. Sabemos, não vieram. A contagem vai começar. Os fogos estouro. 2010 começou.
N
I n g U
E
M
Se
Encontrou…
Lá.
“Não posso, nem quero, deixar que me abandone”, mas, abandonou. Pelos motivos que. Pelas razões de. Por quê? Microfone aberto. Se calou. Se recolheu. Sumiu. E “de repente o telefone toca…”. Lobão, (em 2024) ninguém liga mais para ninguém - e nem você para ninguém, né?! Novamente, dia 31 de dezembro. Rio de Janeiro. Talvez, a gente esteja na mesma cidade. Desencontrados. Perdidos? EU NUNCA ESTIVE. Confuso? Que bom! Eu já sabia há muito tempo onde era o Posto 5 da Avenida Atlântica. E hoje? Eu nado nesse mar que me envolve, que me engole, mas não me afoga. Eu nado no Posto 5, mas não afundo. Você pode ter me colocado no fundo da prateleira que você chama de vida, mas não eu não afundo. Não é mérito, não é dom, não é… mergulho, mas não afundo. Ano pós anos. Fogos pós fogos e fogos (atenção no “o”).
Feliz Ano Novo ainda!
sábado, 13 de janeiro de 2024
Que belo nariz! Só pensava isso quando te vi pela primeira vez naquela praça esquecida de Botafogo. Da minha sacada, eu observava você se aproximando e só desci quando eu vi seu belo nariz. Você me esperava sentado naqueles bancos de mosaico observando os cães barulhentos que me atazanam todas as tardes do ano. Fiquei te observando por 1 minuto e 54 segundos. O tempo da música que eu ouvia no repeat desde você escreveu “bora se encontrar?”. “Rewind” de APFP, no nome da canção - apareceu em algum vídeo conceitual do Reels ou TikTok. Será que é música de IA? Se a gente tiver um novo encontro, vou te mostrar com aquele receio de parecer raso. Medo bobo. Ingênuo. Você me viu por trás da grade.
“Oi, Leo! Finalmente”. Que belo nariz você tem e, por conta disso, nenhuma outra palavra estacionou na minha memória. Só imagens. Do seu sorriso. Dos seus olhos. Dos seus pelos que fugiam da sua camiseta e também, tatuavam as suas coxas. Cafona? Totalmente, mas tem como não ser? Simples. Como cada uma dessas palavras açucaradas como romance de papel marrom de banca de revista dos anos 90. Talvez, você nem saiba o que são - eu só sei, mas nunca li. Você sorriu para mim e suas pupilas tiraram toda a minha roupa preta.
(in progress literalmente)
sábado, 30 de dezembro de 2023
Vovó tá na janela (in progress)
quarta-feira, 1 de junho de 2022
banho de água fria
Seu único defeito era uma tatuagem de cerejas no ombro. O sorriso tímido. A pele quase pálida. Cabelos descoloridos. Trocamos poucas palavras e já estava uma língua dentro da boca do outro. Tirou minha camisa. Desabotoei a sua. Abriu a sua calça. Cueca boxer preta. Puxou a minha bermuda. Sem cueca nenhuma. Beijos demorados. Babados. Se nojo. Sem pressa. Eu desliguei a música que tocava. Eu não consigo mais transar ouvindo música. Me desconcentra. E eu gosto de ouvir a respiração, os gemidos e cada putaria que por ventura venhamos a dizer. Quanto mais melhor. Gosto da narração, das ordens e pedidos. Os barulhos e depois, aquele quase silêncio. Quem vai levantar primeiro? Quem deixará claro que tudo não passou de sexo casual? Você sugeriu um banho. A desculpa era preservar os lençóis. Gostava de água fria assim como. Debaixo do chuveiro, nos conhecemos um pouco mais. Finalmente, intimidade entre nós dois.
quarta-feira, 13 de outubro de 2021
Dominado
Enquanto derrete, de frente ao espelho, se lembra (apesar de nunca ter esquecido): essa é mais uma noite em que você dormirá sozinho. Basicamente, pensei em escrever esse texto para usar essa frase. Sim, tem um pouco do palhaço do pós espetáculo. Você não sabe lidar com suas emoções. Elas não são palavras. Não viram frases interligadas. É tudo solto. Lindas frases de efeito, mas que não criam histórias. E você gosta das tramas. Um bom enredo sempre valerá mais que um bom beijo. Mesmo aqueles que custam apenas 100 reais. Meu telefone parou. Sinal que eu também deveria. Mas, espero aqui esperando ele ressuscitar. Não precisamos de dois mortos nesta sala. O palhaço triste não chora. Não borra a maquiagem. Às vezes, parece que já não sente nada ou não se surpreende. Hoje, você não está dominando nem as palavras, mas manterá cada uma das possíveis lágrimas dentro dos seus olhos.
(in progress e sem revisão)
sábado, 11 de setembro de 2021
Você não voltou
Meu beijo amargo te assustou. Meus dedos dentro de você. Queria mais uma vez. A água quente escorrendo pelas suas costas e percorrendo toda a sua bunda aberta. Chamava. Pedia. Queria. Meu pau dentro de você. Queria outras mais vezes. O peso do meu corpo espremendo o seu na minha cama e amaciando a sua pele jovem. Ardia. Suava. Arrepiava. Minha língua dentro de você. Vezes sempre queria. O visco entre os dentes inundando toda a sua garganta. Seca. Quente. Muda. Seu sorriso doce me esnobou. Você nunca mais voltou.
segunda-feira, 26 de julho de 2021
A lágrima tem gosto de mar
O mar tem gosto de suor. De lágrima. Você vai percebendo o sabor nos lábios a cada mergulho. O sol queima como tapa bem prazeroso no rosto. Como abraço forte. Eu vou recebendo o calor nos meus braços a cada carinho. O vento tem barulho de poesia bem escrita com rimas secas e raras. De sussurro. Eu ainda ouço a sua voz me chamando pelas três primeiras letras do meu nome. A areia cega como mentiras bem contadas. Como a falta de medo. Você ainda não enxerga seus erros. Nós fedemos a flores mortas. A peixe pescado. Nós cheiramos a nós mesmo. Nos lambemos. Nós nos comemos. Nós gritamos. (Talvez) Nunca nos (mais) vemos.
quinta-feira, 25 de junho de 2020
Mágoa de cachorra
domingo, 26 de abril de 2020
Calle Cerrito 124
sexta-feira, 24 de abril de 2020
Porque eu não era
(texto sem revisão)
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Esta noite, estou rum
sexta-feira, 10 de abril de 2020
Pregos áridos
segunda-feira, 6 de janeiro de 2020
O silêncio da carne podre
segunda-feira, 13 de novembro de 2017
Céu da boca
segunda-feira, 26 de junho de 2017
Galho
sábado, 7 de novembro de 2015
40 minutos
quinta-feira, 19 de março de 2015
Diálogos hipotéticos dois (in progress)
Turista bêbado liga para Admilson
Admilson via whatsapp: Não atender (sic) agora
TB: Tudo bem. Mas já sabe que não sou enrolado ou o que você achou que eu seria.
(40 minutos depois)
TB: ?
A: Oi
TB: Opa
A: Quando vai embora? To com a bateria fraca
TB: Vou embora na segunda. O que está fazendo?
A: Passei na casa do meu amigo. Se quiser depois passo ai. Mas quando for para o carro carregado
TB: Estou na Praça Roosevelt. Eu quero que você passe. Você quer passar?
A: Quero! Fazendo o que aí?
TB: Bebendo e vc?
A: Sozinho?
TB: Com um amigo.
A: Amigo de foda?
TB: Amigo de amizade
A: kkk
TB: Tô numa vibe mais tranquilo depois de tanta vodka
A: Já falo com você
TB: OK! Espero. Dorme comigo?
(Uma hora depois)
TB: Vim para o hotel sozinho
(Sete horas depois)
A: Desculpa, acabei cochilando
Turista de ressaca: Relaxa :) Tudo bem?
A: Sim e aí?
TR: Aqui também. Só uma ressaca chatinha. Fome também.
A: To com fome também. Você fuma?
TR (???): Não, por quê?
A: Porque não gosto.
TR: Nunca fumei
A: Manda foto sua
TR: Que tipo de foto?:P
A: Todos
TR: Mais fácil você vir aqui e me ver ao vivo :)
A: Te pedi foto
TR: Eu sei.
A: Complicado ir aí.
TR: Por quê?
A: Porque é ruim para parar. Trânsito ruim.
TR: No domingo, tá bem tranquilo. O que mais tem é estacionamento aqui no Jardins.
A: Super caro
TR: Bem, não vi preços
A: E você não sabe também?
TR: O quê?
A: Vir
TR: Não sei, não. Você está no Ipiranga, né?
A: Ir na Roosevelt você sabe?
TR: Sim, sim. Tava lá ontem. É fácil.
A: E você não sabe pegar um metrô?
Turista ficando puto: Diz aonde você quer chegar com essas perguntas?
A (via mensagem de voz): Quem chega na Roosevelt, chega na minha casa, Agora, é fácil querer que as pessoas vai (sic) até você sempre
Turista pasmo: Eu cheguei à Roosevelt porque eu sei onde é a Roosevelt (risos). Eu não chego na sua casa porque eu não sei onde é a sua casa.
(continua)
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Diálogos hipotéticos (in progress)
Comeu de graça: - Errou! hahahaha
CDG: - Relaxa. hahahhah
BR: (Quase 19 horas e ou ele ainda não aprendeu falar "boa noite" ou não ainda não se entendo com o sistema de 24 horas?) - Opa. Blz?



